Mudar para Portugal com uma casa nova ou com um espaço que ainda não parece ser seu é uma experiência que muitas famílias conhecem. Há a logística, a adaptação, as rotinas que ainda não se instalaram. E depois há o espaço em si: aquelas divisões que guardam coisas, mas ainda não guardam memórias.
Ao longo dos anos, trabalhámos com residentes internacionais de várias proveniências: do Brasil, do Reino Unido, dos Estados Unidos, de França, da Alemanha e muito mais. Os desafios tendem a ser os mesmos: não saber ao certo por onde começar, não conhecer os fornecedores locais, não ter a certeza se o que funciona noutros mercados funciona aqui também.
Este artigo responde a essas questões.
O que é diferente no mercado português de design de interiores
Portugal tem um mercado de design de interiores com qualidade elevada, especialmente em Lisboa, no Algarve e nas zonas com maior presença de residentes internacionais.
A principal diferença em relação a mercados como o britânico ou o americano está no modelo de trabalho. Em Portugal, é comum trabalhar com um atelier de arquitetura e design de interiores que acompanha o projeto de ponta a ponta, do conceito à entrega final, incluindo a gestão de obra. Não existe a mesma separação marcada entre designers, gestores de projeto e empreiteiros que existe noutros contextos.
Para residentes internacionais, isto representa uma vantagem objetiva: um único ponto de contacto, coerência nas decisões e responsabilidade partilhada em todo o processo. O conhecimento do mercado local não tem de ser adquirido por experiência própria.
Trabalhar com um atelier bilingue
Comunicar uma visão para um espaço exige precisão, mesmo na própria língua. Quando há barreira linguística, o risco de interpretações divergentes é real e um mal-entendido na fase de briefing pode custar semanas de retrabalho.
No Atelier Spacemakers, os projetos com clientes internacionais são conduzidos em inglês, da primeira reunião às aprovações técnicas, o que garante que nenhuma decisão é tomada por conveniência linguística.
Há também uma dimensão cultural no trabalho. Compreender as referências visuais, os hábitos de uso dos espaços e o que significa ‘funcional’ em diferentes culturas faz parte do processo. Uma casa bem desenhada é desenhada para a vida real de quem a habita, não para uma ideia abstrata de como se deve viver.
Materiais e fornecedores portugueses: o que vale conhecer
Uma das vantagens de trabalhar com um atelier local é o acesso a fornecedores e materiais que não estão disponíveis para quem não conhece o mercado.
Portugal tem produção artesanal e industrial de qualidade em várias áreas: cerâmica pintada à mão (Norte e Alentejo), têxteis em algodão e linho (Minho e Guimarães), mármores e calcários (Estremoz, Borba, Vila Viçosa), mobiliário por medida e trabalho em ferro forjado.
Muitos destes materiais têm uma relação qualidade-preço favorável em comparação com mercados como o britânico ou o alemão e conferem ao espaço uma identidade que é difícil de replicar com materiais importados.
O atelier trabalha com uma rede de fornecedores construída ao longo de mais de 20 anos. Não são impostas marcas específicas, as escolhas são orientadas com base na qualidade, nos prazos e no que serve cada projeto.
Obras em Portugal: o que é útil saber
As obras em Portugal têm prazos e, como em qualquer mercado, têm imprevistos. Há aspetos do mercado português que são diferentes e que convém conhecer antes de qualquer projeto começar.
O processo de aprovação camarária varia consoante o município e o tipo de intervenção. Em Lisboa, em particular em edifícios classificados ou em zonas históricas, processos que noutros países demorariam semanas podem demorar meses. É uma realidade estrutural do mercado.
A fase de orçamentação tende também a ser mais iterativa do que noutros mercados. Permite ajustar expectativas antes de qualquer compromisso financeiro, o que, a médio prazo, evita surpresas.
A função do atelier, neste contexto, é gerir esta dinâmica para que cada decisão seja tomada com informação adequada, sem que o cliente precise de aprender as particularidades do mercado por experiência própria.
Lisboa e Algarve: o que muda na abordagem
O atelier trabalha nas duas regiões com frequência, e há diferenças que têm impacto direto no design.
Em Lisboa, os projetos são frequentemente de remodelação em edifícios antigos, prédios dos séculos XIX e XX, com pés-direitos altos, soalhos de madeira e estruturas com uma lógica própria. O trabalho é frequentemente de preservar sem congelar: atualizar sem apagar o carácter do espaço.
No Algarve, os projetos tendem a ser em propriedades mais recentes ou em moradias de arquitetura contemporânea, com maior ênfase na relação interior-exterior, na luz intensa de sul e no uso do exterior como extensão natural da casa.
A abordagem de design muda consoante o contexto. Cada espaço tem uma lógica própria e é essa lógica que se procura antes de qualquer decisão de estilo.
Como preparar a primeira reunião
Independentemente do tipo de espaço, há informação que torna a primeira conversa mais produtiva: o que se quer mudar e o que se prefere manter, uma ideia do orçamento disponível, mesmo que seja uma faixa alargada e referências visuais de espaços que apontem na direção certa. Não têm de ser de Portugal.
É também útil pensar em como o espaço é realmente usado: quantas pessoas o habitam, com que frequência recebe, se há trabalho a fazer em casa, se há crianças ou animais. Estas informações são o ponto de partida de qualquer bom projeto.
Uma boa primeira reunião não é sobre apresentar um projeto. É sobre compreender a vida que vai acontecer naquele espaço.
A perspetiva dos clientes internacionais
Ao longo dos anos, vários clientes de outras nacionalidades referiram aspetos semelhantes: a disponibilidade para comunicar em inglês, a clareza no processo e a sensação de que as suas referências culturais foram tidas em consideração, não adaptadas para corresponder a uma ideia genérica de design mediterrânico.
O Atelier Spacemakers não tem uma assinatura visual imposta. Tem uma metodologia. E essa metodologia começa sempre pela mesma questão: quem é a pessoa que vai viver aqui, e o que precisa que este espaço lhe dê?
Cada espaço tem uma lógica. Nós encontramo-la.
| Para projetos em Portugal, o atelier recebe contactos em português e em inglês. |