Localizado no coração de Lisboa, junto à Avenida da Liberdade, este é um escritório de uma sociedade de private equity. O espaço foi pensado para transmitir rigor, discrição e confiança.

O ponto de partida para este projeto foi traduzir esses valores sem cair na frieza; criar um ambiente de trabalho com a sobriedade que a função exige, mas com a calma e o acolhimento de quem aqui entra ou trabalha todos os dias.

O gesto que organiza tudo é a curva. Em vez das linhas rígidas habituais de um escritório, desenhámos volumes que se arredondam, em nogueira ou em estuque claro, para suavizar os percursos e conduzir o olhar de forma natural de um espaço para o outro. Uma arquitetura que respira e que transforma a simples circulação numa sequência fluida de ambientes.

A entrada dá o tom. O corredor de receção é pontuado por uma peça de arte de grande escala, em tons de azul, que recebe o visitante antes de qualquer palavra. As divisórias em smart glass são uma das assinaturas do projeto: a um simples toque, o vidro passa de opaco a transparente, deixando entrar a luz e ajustando a privacidade exatamente à medida de cada momento.

A área de trabalho prolonga esta lógica. Os gabinetes organizam-se atrás de panos de vidro que mantêm a equipa ligada e o espaço luminoso, enquanto o ponto de receção de apoio curvo, em estuque claro, repete a linguagem das formas arredondadas.

As salas de reunião ganham identidade própria através do teto. O sistema acústico em azul-profundo, de desenho modular, contrasta com o calor da madeira e da pele creme das cadeiras; um diálogo entre o quente e o frio que dá foco e carácter aos espaços de decisão. O smart glass fecha-se sobre si quando a conversa o exige, garantindo total discrição sem nunca perder a luz natural. Do formato mais íntimos à sala maior, mantém-se a mesma coerência: nogueira, alcatifa, iluminação cuidada e uma coleção de arte que acompanha todo o escritório.

A meio do percurso, uma pequena zona de espera convida a abrandar: duas poltronas de linhas suaves, uma mesa de apoio e arte na parede, tudo envolvido pelo calor da nogueira e por uma luz indireta discreta.

O gabinete de direção é a exceção que confirma a regra. A pedido do cliente, abandonámos a secretária e desenhámos um espaço mais próximo de uma sala de estar do que de um escritório. Sofá em linho, poltronas de tecido texturado, mesas de apoio em mármore e nogueira e uma estante leve, em estrutura metálica,todas peças de design de autor, que recebe livros, arte e objetos pessoais. É o espaço mais íntimo do projeto, onde a coleção de quem o ocupa toma a palavra e onde se pensa, se conversa e se recebe num registo deliberadamente informal.

O resultado é um espaço de trabalho com o estatuto que o setor pede, sóbrio e acolhedor. Todo o mobiliário é de assinatura — peças de marcas de design de referência, escolhidas uma a uma para durar e para criar ambiente, e cada material foi pensado com o mesmo critério. É essa curadoria, a par da curva presente do início ao fim, que define a identidade do conjunto.

Localização: Avenida da Liberdade, Lisboa, Portugal
Cliente: Corporate Privado
Photo: Ricardo Junqueira

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